Gino Genaro

CURRÍCULO

Graduado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia em 1993, nesta mesma instituição deu seqüência aos seus estudos em nível de pós-graduação. Cursou mestrado na área de Mecânica dos Sólidos e Vibrações, concluindo-o em 1997. Em 2004 concluiu seu doutoramento na área de Transferência de Calor. Ingressou no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em agosto de 2002, onde assumiu a função de Tecnologista junto à Divisão de Mecânica Espacial e Controle (DMC), compondo o grupo de Estruturas Espaciais. Em 2003 participou da campanha de lançamento do VLS em Alcântara, no Maranhão. Atualmente é o responsável pelo Subsistema Estrutura junto ao Programa CBERS, que em parceria com a China, desenvolve uma linha de satélites para a observação dos recursos terrestres.

PLATAFORMA

Por uma AAB atuante e democrática

Desde que foi fundada há um ano, a Associação Aeroespacial Brasileira (AAB) vem desenvolvendo ações que aos poucos vêm consolidando-a como interlocutora de uma parcela pequena --porém qualificada e organizada-- da sociedade, nas questões relacionadas às políticas do setor aeroespacial brasileiro. O convite feito à nossa entidade para que participasse das discussões sobre o papel das organizações envolvidas no Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (Sindae), e na revisão do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) é um exemplo disso. Outro fato que merece destaque diz respeito ao debate público promovido pela entidade para se discutir a situação e o futuro do Programa VLS (Veículo Lançador de Satélites).

Mas é importante termos em mente que ainda há muito o que avançar. Nossa associação deve criar mais canais que permitam --e até incentivem-- a participação dos associados e da sociedade nestas discussões. Desde que tiveram início em nosso país, as atividades aeroespaciais, apesar de estratégicas, nunca chegaram a ser debatidas democraticamente em nossa sociedade. Tal fato fez com que o setor se isolasse, passando, por conseqüência, a ter cada vez menos atenção do Governo e do Congresso. A maior prova disso está nos sucessivos cortes orçamentários que o setor vem sofrendo nos últimos anos. Neste sentido, a AAB tem como um dos seus principais objetivos pautar, pela primeira vez, este debate na sociedade.

Apesar de vir sendo gestada ao longo de alguns anos, a AAB nasceu em um momento em que o setor aeroespacial encontrava-se de luto, em função do trágico acidente de Alcântara, que ceifou a vida de 21 técnicos do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), durante a campanha de lançamento do VLS. Desde então, nunca os assuntos relacionados ao setor estiveram tão presentes no dia-a-dia da população. Governo, Congresso, imprensa e a sociedade organizada passaram a discutir o tema, especialmente as questões envolvendo seu risco, custo e importância estratégica para o país. Com o passar do tempo, entretanto, o debate esfriou e hoje sabe-se que boa parte das recomendações feitas pela comissão que investigou o acidente não chegou a ser implementada, a começar pela criação de uma comissão externa que acompanharia a execução destas recomendações. Neste sentido, é de fundamental importância que a AAB volte a discutir este tema. Da mesma forma, assuntos polêmicos como a avaliação do que representou a participação do Brasil no programa da Estação Espacial Internacional (ISS), a relação do INPE/CTA com a indústria nacional, a parceria sino-brasileira na construção de satélites, a centralização orçamentária das atividades do PNAE na Agência Espacial Brasileira (AEB), etc., são temas importantes que devem merecer o debate e a opinião de nossa associação.

Submeto meu nome à apreciação dos colegas para ocupar uma das três vagas do Conselho Deliberativo da AAB, com o objetivo e o compromisso de pautar estes temas na agenda de nossa associação. Acredito que a AAB será tanto mais forte e representativa, quanto maior for sua participação nas questões maiores da política aeroespacial brasileira.